Ora, francamente!

Archive for agosto, 2009

Só quero saber do que pode dar certo…

by Luize Lacerda on agosto 28th, 2009

Esses dias foram bem complicados. Mais complicados do que todos os dias que já passei aqui. Até cheguei a comprar a passagem de volta para menos de uma semana mas feliz ou infelizmente a empresa aérea remarcou e me jogou para o fim do mês. Nessas horas eu fico imaginando se eu fosse um grande gerente de alguma empresa ultra master importante e tivesse que estar no Brasil em alguns dias. O que eles iriam fazer? Mas tudo bem, passou.

A verdade é que me decepcionei. Mas, para variar um pouco, não foi com ninguém além de mim mesma. Me decepcionei por me deixar envolver tanto com pessoas que não têm tanta importância assim para a minha vida. (E sinceramente, vendo de longe, não têm importância nem para as vidas delas mesmas, porque parecem que não se amam…). Mas eu até entendo. Minhas atitudes pareciam também que eu não me amava o suficiente. Eu estava aguentando uma situação meio “feia” para mim. Em vários e vários aspectos. E eu me amo, todo mundo sabe, né? Quero que fique mais claro ainda. Acho engraçado alguém não gostar de mim sem eu ter feito nada, mas cada um com seu cada um, né? Ainda bem que eu acho engraçado MESMO e rio. Pior era antigamente. Eu ficava me perguntando porque não era boa o suficiente e etc, etc, etc. Ficava aquele drama de novela mexicana e nada saía do lugar. 

Eu ainda gosto de drama sim. Mas não nesses casos. Não gosta de mim? Então, né… só vai perder tudo de bom que eu posso oferecer. Ah sim, porque eu sou uma pessoa ótima e NENHUM pouco chata, antipática e afins. É difícil me colocar de mau humor e eu sempre tenho algo de BOM para falar… Eu me orgulho tanto disso que quando eu tô triste, sinto falta de ser positiva. É tão mágico ver os olhos de alguém que só precisa de outra pessoa para ouví-lo. E eu sei fazer isso. Por mais que eu não tenha encontrado ainda o emprego dos meus sonhos, nem o amor da minha vida, encontrei um jeito de ser feliz e fazer os outros felizes. E isso tem gente que passa a vida inteira tentando achar, né? Acho que devo ficar feliz em ter essa “noção” de mim.

Onde está minha modéstia? No lixo. Brincadeira. Eu sei que tô bem longe de ser perfeita, mas hoje, eu sou o mais próximo disso que posso ser. Amanhã eu vou tá melhor ainda. Mês que vem também. Ano que vem então? Poxa, nem se fala. Ao contrário da maioria, eu gosto de somar e de sempre, mas sempre mesmo, me melhorar. Eu tenho que ter a consciência dos meus erros. Por que não ter a consciência das minhas qualidades? E agora, mais uma lição pro chapéu mágico: Eu só quero saber do que pode dar certo. Porque como diz a música, eu não tenho tempo a perder. Ainda mais porque eu lembro que tempo é dinheiro e meu lado judeu grita forte no âmago do meu ser. 

It’s like I’ve waited my whole life…

by Luize Lacerda on agosto 18th, 2009

Eu odeio ter que medir minhas palavras e não poder ser eu mesma sem que me olhem torto. Meu senso de humor é besta. Eu falo muita besteira e sou feliz assim. Quem estiver achando ruim, se afaste de mim e me poupe de comentários negativos. Críticas só embasadas e pode ter certeza que eu vou tentar utilizá-las. Mas sem draminha de auto-ajuda fancy, ok? Não tenho mais idade e não quero mais perder meu tempo com isso. Grata.

I’m only happy when it rains…

by Luize Lacerda on agosto 15th, 2009

Eu sei. Tenho reclamado muito da vida aqui. Não muito, mas o suficiente para quem ler achar que eu estou louca pra voltar pro Brasil correndo e só estou aqui por um motivo bem forte profissional/estudantil. É mentira. É tudo uma grande mentira. Eu gosto daqui também… Gosto do clima cinzento que voltou a habitar minhas manhãs quando eu acordo e tenho que me empacotar toda, pegar três ôonibus e ir para aula. 

Gosto de ficar testando meu inglês e de tentar não parecer brasileira quando eu falo. Gosto de jogar boliche com o pessoal da escola. Amo o KOSP (Kirkland Series of Poker) nosso de toda quarta-feira. Adoro a possibilidade de ver bandas que sempre escutei ao vivo em uma distância plausível. Enfim, eu poderia passar os dias enumerando o que eu gosto daqui… 

Mas é verdade também que “aproveitar” isso sozinha é um saco. E eu realmente estava me sentindo sozinha… (e ainda me sinto um pouco e sei que haverá dias que me sentirei pior ainda). Mas é aquela coisa… as melhores companhias estão do seu lado e você nem nota, né? Ou até notava, mas sempre ficava com aquele gostinho de quero mais. A verdade é que na semana que mais precisei, tive pessoas aqui que me ampararam… e essa sensação é única. 

Até presentes fofos ganhei! Uma amiga linda que me escutou pacientemente me disse que naquela semana a maior alegria dela era ter aberto um pacote de cereal e encontrado um esquelinho da “Era do Gelo”. Dias depois, ela abriu outra caixa e achou o mesmo esquilo e me deu… Foi um gesto tão lindo que quase chorei na hora e não é aumentando. 

No dia que eu tava chorando porque notei que não era bem quista em certos ambientes, um amigo meu chegou com duas bolinhas e uns bonequinhos dentro. Bem de repente e disse: “Essa é você… e esse daqui é pra você nunca esquecer de mim.”. Eu chorei mais ainda, mas era um choro de felicidade e alegria por ter alguém que quis me deixar bem.

E ontem, finalmente saí com uma pessoa que sempre aguentou minhas pontas online. Foi uma sexta-feira típica de Recife, como as quais eu fazia com meus grandes amigos. Nós fomos jantar num restaurante que eu escolhi, comemos, conversamos e depois ficamos fazendo nada aqui em casa até de madrugada. Conversando besteira e falando da vida. Isso foi tão legal que já entrou pro Top 5 de “baladas” americanas. 

A verdade é que quando tem algo nos incomodando a gente tende a só olhar para isso. Como uma espinha que nasce em meio a testa no dia de uma festa especial. A gente se olha no espelho e só ver a espinha e esquece a beleza que tá no rosto todo. (Sem contar que a gente pode usar corretivo, né?). Mas enfim… eu comecei a ignorar a espinha e acho até que ela tá diminuindo, sabe? Fico feliz com isso.

PS: meus presentes fofos!presentes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I don’t belong here…

by Luize Lacerda on agosto 7th, 2009

NÃO-PERTENCE

Há umas duas semanas um conhecido meu perguntou o que eu tinha tatuado no pulso direito. Eu ri e respondi que era um “não-pertence”. Hoje, essa tatuagem fez mais sentido que nunca. Aliás, não só hoje, mas também hoje. Faz uns cinco anos que me tatuei. Eu lembro que queria me marcar e não sabia que desenho fazer. Meus pais eram contra toda vez que eu tocava no assunto, mas eu estava decidida. Na mesma época, fui ver o filme Cazuza e o Daniel de Oliveira me aparece com uma blusa azul e um “não-pertence” branco nela. Estava decidida. Eu que já amava matemática, achei um sinal que me descrevia. De quando eu vi o filme até fazer a tatuagem poucos dias se passaram e então… fiz. Nesse dia, lembro que fui dormir na casa da Carol Mafra para ter coragem de contar para minha mãe no outro dia somente. Além do “não-pertence”, eu e Carol fizemos uma estrela dentro da outra no pé. Iguais. Para sempre, sabe? Foi bonito. 

Hoje eu senti que não pertencia. E senti forte. E lembrei quando eu tinha uns 12 anos e umas meninas da minha sala vieram me pedir para colaborar com uma “vaquinha” para dar um presente de niver para outra lá. Prontamente, dei toda minha mesada e esperei me avisarem o dia que iriam entregar, afinal, eu colaborei né? Era um fim-de-semana desses prolongados e ninguém me ligou. Na segunda-feira, só escutei os comentários sobre como a “festinha” tinha sido legal. Me esqueceram mais uma vez e eu lembrei que não pertencia. 

Eu poderia citar uns dez acontecimentos parecidos com esse. Deve ser sina minha. Mas aqui nos Estados Unidos, ao vinte-e-quatro anos, achei que a sensação ia se desfazer. Aliás, há tempos não sentia essa “sensação”. Eis que cheguei aqui em uma situação meio complexa, como já deixei a entender… Mas, nada como o tempo, aquele velho mercúrio cromo. Me sentia feliz e satisfeita até notar que “me esqueceram” em um e-mail para uma viagem para a lagoa, não me mandaram um e-mail de um churrasco, não me avisaram da comemoração do niver de um cara, não me ligaram pra ir pro parque aquático e só me avisaram do kart em cima da hora. Nesse momento, eu notei que eu realmente não pertenço. Não trabalho no mesmo lugar que a maioria dos meus “amigos” aqui, não me ligam, nem me mandam msg… e notei que, ao menos, dessa vez, eu não pertenço por escolha deles

Ao entender isso me veio um sopro de felicidade e uma dor no peito de tristeza. Eu sempre tratei todo mundo bem e não entendo porque não querem minha companhia. Aliás, isso tá parecendo “drama”, mas quem me conhece sabe o quanto eu me esforço para fazer todo mundo que cruza comigo se sentir bem. Não tô me vangloriando, só é uma contastação. Eu não sei ficar bem sabendo que tem alguém “próximo” infeliz. Essa sou eu e esse é meu mundo. Libriana diplomática de carteirinha que vos fala e vos chora a sensação de ser esquecida quando lembra sempre de todos. Não, não sou perfeita, mas excluir pessoas tá longe da minha capacidade maquiavélica

Com isso entendido, vou juntar meus trapinhos, acabar minhas coisas por aqui e zarpar. Infelizmente não sei viver sem companhia, e sem um abraço como eu mesma já disse. Mas passa. Agora tá doendo um tanto, mas já já, passa. E não me venham com comentários como “quem perde são eles”. Quem tá perdendo sou eu, remoendo isso e chorando sozinha. Mas tudo bem. Não é o fim do mundo. Eu, pelo menos, tô ciente que tenho que me cuidar para não cair naquele velho buraco. Também não é como um cara me falou ontem: “É só X e Y fazerem uma festinha pra você amanhã que tudo melhora, né?”. Não, não agora. Agora doeu demais “entender” tudo isso. 

Como eu acho que eles não se importam muito, a vida continua. Eles continuarão no mundinho deles e eu no meu, sem pertencer. O tempo passa e eu voltarei para o Brasil, onde algumas pessoas têm consideração comigo. Onde eu tenho meu cachorro para me consolar quando eu tô chorando e onde, mais importante que tudo, tenho um pai e uma mãe que me amam incondicionalmente por mais que eu fosse o ser mais horripilante da face da Terra e do sistema solar inteiro (o que não é o caso). Eu sou uma pessoa massa, mas, não souberam entender isso e ao menos disso, a culpa não é minha.

Então, “meus amigos”, bom passeio no parque aquático, boa comemoração de aniversário, boa corrida de Kart, bom fim-de-semana em Vancouver, ótimos churrascos… Com o coração livre de mágoas, mas agora, eu sei o meu lugar.

And I miss you when you’re gone…

by Luize Lacerda on agosto 3rd, 2009

Esse fim-de-semana você viajou. E me deixou aqui. Sem saber notícias suas, achei que ia ficar de bico esses dias. Uma abstinência de tudo que eu aprendi a conviver nesses últimos tempos. Você realmente viajou, mas não me deixou sozinha nenhum segundo sequer. 

Na sexta-feira, fui a Portland com aquele nosso amigo louco. Aquele mesmo que tentou me beijar na mesma noite que eu e você demos nosso primeiro beijo. Viajamos para ver um show. Você lembra que eu e ele temos o mesmo gosto musical, não é? Mas eu, várias vezes, na estrada, fechava os olhos e esperava que quando eu os abrisse, fosse você dirigindo. Mas não adiantou. E olha que eu apartei bem os olhinhos, como sempre mandam fazer nos filmes. Durante o show, lembrei de você em várias músicas e imaginava o que você estaria fazendo a 3h a frente do horário que eu me encontrava. Depois, me veio uma angústia de ter viajado sozinha com ele. Imagina se você cogita que eu e ele ficamos juntos? Nossa, não! Jamais faria isso com você. Mesmo sem termos um compromisso, eu sou fiel ao que sinto. E aí, chegou a hora de voltar. Mais estrada e menos assunto. Só pensava em você naqueles instantes que nosso amigo louco perguntava porque eu estava tão calada…

No sábado, me senti mal porque soube que alguns amigos em comum foram passear e nem sequer lembraram de mim. Se você tivesse aqui, você teria me chamado. Será? Espero que sim. Quando eu já achava que ia passar o dia pensando em você, me levaram pra uma festa de aniversário que iria do sábado ao domingo. Lembrei do seu aniversário que durou uma semana. Ao chegar na festa, várias nacionalidades, como é típico daqui, né? Mas daí, encontrei aquele casal… um brasileiro casado com a americana, sabe? Aquele casal lá que não é amigo da galera mas que você me apresentou no primeiro dia que saímos juntos para ver o jogo de futebol. E mais uma vez, meu pensamento era todo seu. Resolvi voltar para casa no sábado a noite, porque no domingo iria ter mais coisas pra fazer…

A namorada daquele cara que joga pôquer conosco me chamou para ver os Blue Angels em um parque em Seattle. Fomos só os três e aí, mais do que nunca, queria você lá. Você ia ter adorado o clima da festa. E a gente ficou bem no “Beer Garden”, sabe? Tua cara. Foi bem parecido com o 4 de Julho que você não queria me levar porque queria que eu tivesse uma vida mais independente aqui. Depois do blue angels fizemos um churrasco no prédio desse casal. E os meninos foram também. Conversa vai, conversa vem… perguntaram por onde você andava. Disse que você havia viajado no fim de semana. Mas me perguntei depois por que eles perguntaram a mim? Será que eu sei mesmo da tua vida? Imaginei você vendo a vista do prédio deles, me pedindo pra tirar uma foto bem impossível daquelas que é pra pegar o sol e a lua, sabe? Você ia ter adorado a vista, não tenho dúvidas. Por fim, combinamos de jogar pôquer na terça e ir pro jogo da Barcelona na quarta. Será que você vai? Lembrei mais uma vez de você.

A verdade é que deu pra sentir saudades sim. Mas aprendi que onde quer que eu esteja, você, durante um bom tempo, vai estar comigo… Por mais que não tenhamos nada, eu tenho meu amor por você.