I don’t belong here…
Posted in dia-a-dia, histeria, memórias by Luize Lacerda on agosto 7th, 2009

Há umas duas semanas um conhecido meu perguntou o que eu tinha tatuado no pulso direito. Eu ri e respondi que era um “não-pertence”. Hoje, essa tatuagem fez mais sentido que nunca. Aliás, não só hoje, mas também hoje. Faz uns cinco anos que me tatuei. Eu lembro que queria me marcar e não sabia que desenho fazer. Meus pais eram contra toda vez que eu tocava no assunto, mas eu estava decidida. Na mesma época, fui ver o filme Cazuza e o Daniel de Oliveira me aparece com uma blusa azul e um “não-pertence” branco nela. Estava decidida. Eu que já amava matemática, achei um sinal que me descrevia. De quando eu vi o filme até fazer a tatuagem poucos dias se passaram e então… fiz. Nesse dia, lembro que fui dormir na casa da Carol Mafra para ter coragem de contar para minha mãe no outro dia somente. Além do “não-pertence”, eu e Carol fizemos uma estrela dentro da outra no pé. Iguais. Para sempre, sabe? Foi bonito.
Hoje eu senti que não pertencia. E senti forte. E lembrei quando eu tinha uns 12 anos e umas meninas da minha sala vieram me pedir para colaborar com uma “vaquinha” para dar um presente de niver para outra lá. Prontamente, dei toda minha mesada e esperei me avisarem o dia que iriam entregar, afinal, eu colaborei né? Era um fim-de-semana desses prolongados e ninguém me ligou. Na segunda-feira, só escutei os comentários sobre como a “festinha” tinha sido legal. Me esqueceram mais uma vez e eu lembrei que não pertencia.
Eu poderia citar uns dez acontecimentos parecidos com esse. Deve ser sina minha. Mas aqui nos Estados Unidos, ao vinte-e-quatro anos, achei que a sensação ia se desfazer. Aliás, há tempos não sentia essa “sensação”. Eis que cheguei aqui em uma situação meio complexa, como já deixei a entender… Mas, nada como o tempo, aquele velho mercúrio cromo. Me sentia feliz e satisfeita até notar que “me esqueceram” em um e-mail para uma viagem para a lagoa, não me mandaram um e-mail de um churrasco, não me avisaram da comemoração do niver de um cara, não me ligaram pra ir pro parque aquático e só me avisaram do kart em cima da hora. Nesse momento, eu notei que eu realmente não pertenço. Não trabalho no mesmo lugar que a maioria dos meus “amigos” aqui, não me ligam, nem me mandam msg… e notei que, ao menos, dessa vez, eu não pertenço por escolha deles.
Ao entender isso me veio um sopro de felicidade e uma dor no peito de tristeza. Eu sempre tratei todo mundo bem e não entendo porque não querem minha companhia. Aliás, isso tá parecendo “drama”, mas quem me conhece sabe o quanto eu me esforço para fazer todo mundo que cruza comigo se sentir bem. Não tô me vangloriando, só é uma contastação. Eu não sei ficar bem sabendo que tem alguém “próximo” infeliz. Essa sou eu e esse é meu mundo. Libriana diplomática de carteirinha que vos fala e vos chora a sensação de ser esquecida quando lembra sempre de todos. Não, não sou perfeita, mas excluir pessoas tá longe da minha capacidade maquiavélica.
Com isso entendido, vou juntar meus trapinhos, acabar minhas coisas por aqui e zarpar. Infelizmente não sei viver sem companhia, e sem um abraço como eu mesma já disse. Mas passa. Agora tá doendo um tanto, mas já já, passa. E não me venham com comentários como “quem perde são eles”. Quem tá perdendo sou eu, remoendo isso e chorando sozinha. Mas tudo bem. Não é o fim do mundo. Eu, pelo menos, tô ciente que tenho que me cuidar para não cair naquele velho buraco. Também não é como um cara me falou ontem: “É só X e Y fazerem uma festinha pra você amanhã que tudo melhora, né?”. Não, não agora. Agora doeu demais “entender” tudo isso.
Como eu acho que eles não se importam muito, a vida continua. Eles continuarão no mundinho deles e eu no meu, sem pertencer. O tempo passa e eu voltarei para o Brasil, onde algumas pessoas têm consideração comigo. Onde eu tenho meu cachorro para me consolar quando eu tô chorando e onde, mais importante que tudo, tenho um pai e uma mãe que me amam incondicionalmente por mais que eu fosse o ser mais horripilante da face da Terra e do sistema solar inteiro (o que não é o caso). Eu sou uma pessoa massa, mas, não souberam entender isso e ao menos disso, a culpa não é minha.
Então, “meus amigos”, bom passeio no parque aquático, boa comemoração de aniversário, boa corrida de Kart, bom fim-de-semana em Vancouver, ótimos churrascos… Com o coração livre de mágoas, mas agora, eu sei o meu lugar.

GlenStef says:
Hi,
Can i take a one small picture from your blog?
GlenStef
agosto 8th, 2009 at 20:15
Eu says:
Hey,
Hoje é um dia especial pra mim. Eu sinto vários tipos de solidão e uma delas tem mais ou menos a seguinte forma: “eu acho que só eu fui tão excluída na minha vida, desde pequena. O que será que eu tenho de errado?”. Eu lembro de mim pequenininha, na 2 série, tentando ser amiga de um grupo de meninas da sala – e olha que nem era o famoso grupo das *favoritas* – mas elas me tratavam com uma frieza, Luize, que era de espantar que crianças conseguissem ser tão cruéis. Eu sempre senti que algumas pessoas têm uma aura de “eu sou melhor/mais rica/mais bonita que você”. Tenho trocentas histórias dessas, trocentas. Mas vamos ao “hoje é um dia especial”. Sabe porque? Porque esse é o terceiro blog que eu leio hoje em que algumas dessas minhas solidões são expostas por outras pessoas. Pessoas legais, inteligentes, sociáveis. E que inexplicavelmente sofrem alguma exclusão social. Um dos outros blogs que li hoje, é de uma guria americana morando no Brasil e, cara, ela tá sofrendo demais. SEM amigos. Nenhuma amiga, e ela tem tentado tanto! Dezesseis meses se passaram e ela não conseguiu fazer nenhuma amizade, isso tá fazendo mal a ela, ao namoro dela, ao rendimento do trabalho dela. Depois das muitas tentativas sem sucesso de se fazer pertencente a um grupo, como é que ela se sente? Excluída.
Bom, pra finalizar o meu já não breve comentário, queria dizer o seguinte, não sei pra que essas experiências e sensações servem, porque essas coisas acontecem ou se um dia vai passar. Mas tem gente especial de sobra por aí se sentindo só. E é na esperança de encontrar gente assim que eu continuo tentanto me sentir parte, fazer amizade. É dando a cara a tapa que a gente ganha (ou perde) nessa vida.
agosto 8th, 2009 at 21:23
Luize Lacerda says:
Fico triste e feliz ao mesmo tempo. Saber que você me acha legal, inteligente e sociável é uma honra, viu? Mas, fico triste que alguém com a sua sensibilidade também “sofra” desse mal. Onde a menina tá morando? Já já volto para o Brasil e gostaria de conhecê-la… Ainda mais, queria que, se não fosse pedir muito, você se identificasse. Hoje, em plena tarde de sábado, to preparada para ficar comigo e me curtir. Ver uns filmes, ler uns livros e se der vontade, passear um pouco. Preciso me dar atenção também… Então, um beijo e bom fim-de-semana.
agosto 8th, 2009 at 21:32
Camila says:
adorei seu blog!!
tenho um blog também, de moda e tendencias, se puder dar uma passadinha lá…
http://www.palomitaschics.wordpress.com
;*
agosto 13th, 2009 at 10:32