Archive for the histeria category
O Alarme de Incêndio…
by Luize Lacerda on junho 26th, 2009
Segundo o Wikipédia, o alarme de incêndio é o sistema responsável pela informação de todos os usuários envolvidos em uma determinada área da iminência da ocorrência de um incêndio ou no princípio do mesmo. Normalmente um sistema deste tipo é constituído por detectores automáticos, baseados na detecção de fumaça, chamas ou calor, por acionadores manuais, baseados na observação humana do princípio de incêndio para posterior acionamento do alarme que enviam seus sinais para uma central de alarme. Esta central de alarme por sua vez envia sinais de alerta para dispositivos de sinalização audiovisual como sirenes e luzes de emergência. O problema é que o alarme de incêndio dispara quando você menos espera e quando ele dispara as pessoas reagem de maneira inesperada e supreendente.
Ontem aconteceu uma coisa bem estranha. Dois alarmes de incêndio dispararam para me avisar de dois incêndios ou qualquer coisa semelhante a um. E para não fugir a regra, eu não espera os alarmes. O primeiro alarme soou as 18:15h mais ou menos. No meio da sala do cinema. Estávamos vendo UP 3D. Bem quando o tal Carl dá uma de Padre-Burro-Que-Não-Sabe-Usar-o-GPS Padre-Baloneiro e levanta a casa com os balões, o alarme de incêndio dispara e começa: “May I have your attention please… May I have your attention please… the entire bulding is under an emergency or an imminency of one. Go to the next lobby or exit…”. As luzes acenderam e não teve mais filme pra gente. Parecia aquela cena do Um Tira no Jardim de Infância, sabe? A minha amiga surtou enquanto eu e outro amigo só fazíamos rir e curtir a experiência de todo mundo sair calmamente do prédio. Se fosse no Brasil, a galera ia morrer pisoteada, isso sim. A minha maior preocupação era como eu ia fazer pra ver o filme denovo, sabe? Coisa de primeiro mundo. Mas eu guardei o canhoto e acho que eles me deixam entrar de graça. Quando a gente saiu do prédio, vimos os bombeiros chegando e a minha amiga correndo para o carro e querendo sair dali o mais rápido possível, aloca, sabe? Mas tudo bem, a gente entende, amiga. Um trânsito imenso por causa dos caminhões e os bombeiros daqui, são todos lindos e tenho fotos para confirmar. Tentei até um approach mas eles tavam tentando desligar o alarme que alguma criança apertou sem querer, acho eu. Depois da crise histérica reação da minha amiga, resolvemos ir jantar e aí o segundo alarme disparou.
Como eu disse, estávamos em três: eu, uma amiga histérica assustada e um amigo sussa. Resolvemos jantar no Applebee’s e tal e ficamos conversando potoca porque é o último fim-de-semana dessa amiga aqui em Bellevue. Depois ela vai pra Las Vegas, Los Angeles, enfim, coisa bem chaaaaata. E como a coitada vai ter que passar por isso, a gente resolveu começar o fim-de-semana na quinta-feira. Tentem compreender mais e julgar menos, ok? Grata pela compreensão. Conversa vai e conversa vem. Tocaram na minha ferida. Eu tava dispersa, aluada e meio inquieta: era o segundo alarme de incêndio que dava seus sinais. Eles me torturaram, me forçaram, prenderam meu corpo em quatro cavalos até que eu confessasse o que se passava e daí, entenderam o incêndio que acontecia dentro de mim. Feliz ou infelizmente esse incêndio é de interesse privado e não público. Quando eu fizer xixi na cama, porque quem brinca com fogo acaba assim, já sabem, né? Eu falo mais sobre o incêndio. É, corta-fogo, por favo
Eu não ligo…
by Luize Lacerda on abril 2nd, 2009
Eu não ligo se você trabalha para a maior empresa de software do mundo e se tem um carro lindo. Nem ligo também para os milhares de dólares na sua conta bancária. Nem ligo também para chorar e dizer que me ama. Ligo para você me deixar esperando dez horas em um aeroporto que não conheço, cinco horas numa cidade fria e à noite sem nem dizer que não vai poder se encontrar comigo. Ligo para você nem me acolher com um chão na sua casa, como amigo que nós sempre costumávamos dizer que éramos, antes de quaisquer coisas. Ligo para você ter me escondido durante todos esses meses, criado um mundo paralelo enquanto eu fazia questão de dizer que era tua. Ligo para depender da boa-vontade alheia quando deveria ser alimentada pelo teu amor e tua amizade, principalmente. Ligo pela falta de apoio, pela falta de carinho que sempre disseste ter. Não ligo para o seu “visto permanente”, muito menos pela sua futura cidadania. Não ligo para os seus amigos que nem amigos são de verdade, mas que você prefere os manter por perto que me dar a atenção que mereço. Não ligo para você ser educado e eloquente se no fundo, és um ogro que nem soube ao menos ter educação doméstica para comigo. Não ligo para você dizer que não quer me machucar, quando no fundo, você não quer se machucar. Ligo para sua covardia, para sua falta de coragem de viver a vida. Ligo para você escolher um caminho conhecido, que na verdade, nem conhece, ao certo. Não ligo para você querer sair e viver por aí. Não ligo para você querer ter sua vida. Ligo para o aparente incômodo que causo ao querer viver a minha. Não ligo para você me deixar sem notícias, por ter apagado o futuro das nossas memórias. Ligo simplesmente por te amar ainda, desse jeito que me faz não desligar de você.
Declaraçao De Amor…
by Luize Lacerda on março 17th, 2009
Eu tô cansando de tentar escrever isso. Já digitei e apaguei uns 89749 parágrafos. Não sei porque tenho que escrever, mas tenho. São como certas coisas são e pronto. Simples assim e se a gente tentar entender, vai endoidar e entender menos ainda sobre o pouco que sabia previamente, não é mesmo? Deve ser. Porque certeza, nunca vou ter. E saber disso é meio frustrante, mas é assim mesmo. Tenho que me contentar. Mas porque não consigo? Porque o “ser como é” me dá arrepios e eu quero o novo. Eu quero o novo todos os dias. Mesmo que o meu “novo” seja o seu “ser como é”. Mas é algo que eu preciso para viver. E ás vezes eu não entendo porque fiz certas coisas. Ás vezes não, muitas vezes, na verdade, sabe? Mas, é isso mesmo. Só que eu acho que nunca vou conseguir me conformar assim, fácil. Vou aceitar e viver. É menos doloroso. Ontem, eu me superei mais uma vez. Foi uma coisa de mim para mim. E eu tô bem orgulhosa, sabe? E não tem nada a ver com você. É muito fácil tá orgulhosa de mim agora e eu entendo isso. Agora eu tô “normal”. Mas, no auge da minha loucura, eu tava sozinha comigo e você, apesar de existir, não estava comigo e até me negava. Entender que eu me assumi p’ra você ontem, me deu uma felicidade danada, porque, você tem que me amar como eu sou, com tudo o que eu fiz ou não fiz até chegar aqui, porque é isso que eu sou. Você pode achar estranho, mas você, sou eu. E eu sei disso. É Luize, hoje, posso dizer: “Eu te amo”! E não é pouco não. E eu me orgulho muito mesmo de você e eu nunca mais quero te deixar sozinha, sabe? Porque quando eu te deixo sozinha, você faz umas besteiras sem-tamanho, mas, ao menos, aprende, né?
Mas… por quê?
by Luize Lacerda on janeiro 28th, 2009
Sempre ouvi falar que fulanA ou cicranA eram histéricas sem nunca realmente haver me atentado para o que isso realmente significava. Eu mesma, várias vezes, fui assim rotulada. E pra ser sincera, pouco me importei. Achava que ser histérica era lá dar um showzinho, gritar, peder o controle, o popular: surtar! E em parte, é. Mas, em parte. Descubrir o significado epistemológico de histeria não estava em meus planos, mas acabei o fazendo sem querer. Ao ler Quando Nietzsche Chorou há anos, soube que histeria vinha de hysteros que em grego quer dizer útero. E daí, toda uma cultura que só mulher era “histérica” no sentido mais amplo que esta palavra pode ter.
E eis que me deparei com o fato que eu havia deixado de ser histérica mesmo possuindo um útero (pelo menos minha menstruação continua em dia!).
Além disso, graças (ou desgraçadamente, no caso) a minha sociabilidade, notei que eu convivo com uma quantidade imensa de seres masculinos (porque homem mesmo tá em falta no mercado, meu público!) um tanto quanto pitizeiros, surtados, ou, se preferirem, histéricos. Seria correto então dizer que eu tenho bolas e eles úteros?
O que me deixou uma pessoa livre disso? E por que eles são tão afestados? E elas sinônimos desta síndrome?
Bom, se eu soubesse, ganharia rios de dinheiro… Mas, é isso que eu vou tentar discutir aqui, ao menos, na maioria dos posts.
