Ora, francamente!

Archive for the memórias category

Um Beijo Para Você. ~ A Kiss For You.

by Luize Lacerda on setembro 27th, 2009

Mandar beijo é normalmente uma maneira de acabar um email. Mas nesse caso, vai ser a maneira de começar.

Send kisses is a common way to finish an email. But, in this case, it will be the way of starting one.
Como muitos já sabem, amanhã estou voltando pro Brasil.
As the majority know, tomorrow I’m coming back to Brazil.
Esse é meu email de despedida.
This is my goodbye email.
E também é um agradecimento. A todos vocês que, de uma maneira ou de outra, fizeram parte dessa fase de minha vida.
And also is a “thank you”. To all of you that, one way or another, were part of this phase of my life.
Daí o porque do beijo.
That’s the reason of the kiss.
Para mim foi uma fase para lá de especial.
To me, it was an awesome phase.
Mas chegou a hora de cuidar de outras coisas. Coisas que ficaram para trás e que agora tão na hora de voltarem pra agenda.
But it’s time to take care of other things. Things that were behind and now it’s time to put them in my “to do” list.
E também, além de agradecer, esse e-mail é também um convite. Um convite para todos vocês aproveitarem comigo meu último fim-de-semana aqui. 
And also, beyond saying “thank you”, this is an invite. An invite to all of you enjoy with me my last day here.
Por fim, esse email é um até breve. Não vou mais tá por aqui, mas a gente, com certeza, se cruza por aí.
At last, this email is one “see you soon”. I will not be around, but I’m sure we are gonna run into each other.
Outro beijo. Aliás, muitos outros.
Another kiss. Or better saying, lots of kisses.

Luize Lacerda
PS: Eu não sei ainda o que farei hoje a noite, então, aceito sugestões.
PS: I’m not sure what I’m going to do tonight, so I accept suggestions.

Só quero saber do que pode dar certo…

by Luize Lacerda on agosto 28th, 2009

Esses dias foram bem complicados. Mais complicados do que todos os dias que já passei aqui. Até cheguei a comprar a passagem de volta para menos de uma semana mas feliz ou infelizmente a empresa aérea remarcou e me jogou para o fim do mês. Nessas horas eu fico imaginando se eu fosse um grande gerente de alguma empresa ultra master importante e tivesse que estar no Brasil em alguns dias. O que eles iriam fazer? Mas tudo bem, passou.

A verdade é que me decepcionei. Mas, para variar um pouco, não foi com ninguém além de mim mesma. Me decepcionei por me deixar envolver tanto com pessoas que não têm tanta importância assim para a minha vida. (E sinceramente, vendo de longe, não têm importância nem para as vidas delas mesmas, porque parecem que não se amam…). Mas eu até entendo. Minhas atitudes pareciam também que eu não me amava o suficiente. Eu estava aguentando uma situação meio “feia” para mim. Em vários e vários aspectos. E eu me amo, todo mundo sabe, né? Quero que fique mais claro ainda. Acho engraçado alguém não gostar de mim sem eu ter feito nada, mas cada um com seu cada um, né? Ainda bem que eu acho engraçado MESMO e rio. Pior era antigamente. Eu ficava me perguntando porque não era boa o suficiente e etc, etc, etc. Ficava aquele drama de novela mexicana e nada saía do lugar. 

Eu ainda gosto de drama sim. Mas não nesses casos. Não gosta de mim? Então, né… só vai perder tudo de bom que eu posso oferecer. Ah sim, porque eu sou uma pessoa ótima e NENHUM pouco chata, antipática e afins. É difícil me colocar de mau humor e eu sempre tenho algo de BOM para falar… Eu me orgulho tanto disso que quando eu tô triste, sinto falta de ser positiva. É tão mágico ver os olhos de alguém que só precisa de outra pessoa para ouví-lo. E eu sei fazer isso. Por mais que eu não tenha encontrado ainda o emprego dos meus sonhos, nem o amor da minha vida, encontrei um jeito de ser feliz e fazer os outros felizes. E isso tem gente que passa a vida inteira tentando achar, né? Acho que devo ficar feliz em ter essa “noção” de mim.

Onde está minha modéstia? No lixo. Brincadeira. Eu sei que tô bem longe de ser perfeita, mas hoje, eu sou o mais próximo disso que posso ser. Amanhã eu vou tá melhor ainda. Mês que vem também. Ano que vem então? Poxa, nem se fala. Ao contrário da maioria, eu gosto de somar e de sempre, mas sempre mesmo, me melhorar. Eu tenho que ter a consciência dos meus erros. Por que não ter a consciência das minhas qualidades? E agora, mais uma lição pro chapéu mágico: Eu só quero saber do que pode dar certo. Porque como diz a música, eu não tenho tempo a perder. Ainda mais porque eu lembro que tempo é dinheiro e meu lado judeu grita forte no âmago do meu ser. 

I don’t belong here…

by Luize Lacerda on agosto 7th, 2009

NÃO-PERTENCE

Há umas duas semanas um conhecido meu perguntou o que eu tinha tatuado no pulso direito. Eu ri e respondi que era um “não-pertence”. Hoje, essa tatuagem fez mais sentido que nunca. Aliás, não só hoje, mas também hoje. Faz uns cinco anos que me tatuei. Eu lembro que queria me marcar e não sabia que desenho fazer. Meus pais eram contra toda vez que eu tocava no assunto, mas eu estava decidida. Na mesma época, fui ver o filme Cazuza e o Daniel de Oliveira me aparece com uma blusa azul e um “não-pertence” branco nela. Estava decidida. Eu que já amava matemática, achei um sinal que me descrevia. De quando eu vi o filme até fazer a tatuagem poucos dias se passaram e então… fiz. Nesse dia, lembro que fui dormir na casa da Carol Mafra para ter coragem de contar para minha mãe no outro dia somente. Além do “não-pertence”, eu e Carol fizemos uma estrela dentro da outra no pé. Iguais. Para sempre, sabe? Foi bonito. 

Hoje eu senti que não pertencia. E senti forte. E lembrei quando eu tinha uns 12 anos e umas meninas da minha sala vieram me pedir para colaborar com uma “vaquinha” para dar um presente de niver para outra lá. Prontamente, dei toda minha mesada e esperei me avisarem o dia que iriam entregar, afinal, eu colaborei né? Era um fim-de-semana desses prolongados e ninguém me ligou. Na segunda-feira, só escutei os comentários sobre como a “festinha” tinha sido legal. Me esqueceram mais uma vez e eu lembrei que não pertencia. 

Eu poderia citar uns dez acontecimentos parecidos com esse. Deve ser sina minha. Mas aqui nos Estados Unidos, ao vinte-e-quatro anos, achei que a sensação ia se desfazer. Aliás, há tempos não sentia essa “sensação”. Eis que cheguei aqui em uma situação meio complexa, como já deixei a entender… Mas, nada como o tempo, aquele velho mercúrio cromo. Me sentia feliz e satisfeita até notar que “me esqueceram” em um e-mail para uma viagem para a lagoa, não me mandaram um e-mail de um churrasco, não me avisaram da comemoração do niver de um cara, não me ligaram pra ir pro parque aquático e só me avisaram do kart em cima da hora. Nesse momento, eu notei que eu realmente não pertenço. Não trabalho no mesmo lugar que a maioria dos meus “amigos” aqui, não me ligam, nem me mandam msg… e notei que, ao menos, dessa vez, eu não pertenço por escolha deles

Ao entender isso me veio um sopro de felicidade e uma dor no peito de tristeza. Eu sempre tratei todo mundo bem e não entendo porque não querem minha companhia. Aliás, isso tá parecendo “drama”, mas quem me conhece sabe o quanto eu me esforço para fazer todo mundo que cruza comigo se sentir bem. Não tô me vangloriando, só é uma contastação. Eu não sei ficar bem sabendo que tem alguém “próximo” infeliz. Essa sou eu e esse é meu mundo. Libriana diplomática de carteirinha que vos fala e vos chora a sensação de ser esquecida quando lembra sempre de todos. Não, não sou perfeita, mas excluir pessoas tá longe da minha capacidade maquiavélica

Com isso entendido, vou juntar meus trapinhos, acabar minhas coisas por aqui e zarpar. Infelizmente não sei viver sem companhia, e sem um abraço como eu mesma já disse. Mas passa. Agora tá doendo um tanto, mas já já, passa. E não me venham com comentários como “quem perde são eles”. Quem tá perdendo sou eu, remoendo isso e chorando sozinha. Mas tudo bem. Não é o fim do mundo. Eu, pelo menos, tô ciente que tenho que me cuidar para não cair naquele velho buraco. Também não é como um cara me falou ontem: “É só X e Y fazerem uma festinha pra você amanhã que tudo melhora, né?”. Não, não agora. Agora doeu demais “entender” tudo isso. 

Como eu acho que eles não se importam muito, a vida continua. Eles continuarão no mundinho deles e eu no meu, sem pertencer. O tempo passa e eu voltarei para o Brasil, onde algumas pessoas têm consideração comigo. Onde eu tenho meu cachorro para me consolar quando eu tô chorando e onde, mais importante que tudo, tenho um pai e uma mãe que me amam incondicionalmente por mais que eu fosse o ser mais horripilante da face da Terra e do sistema solar inteiro (o que não é o caso). Eu sou uma pessoa massa, mas, não souberam entender isso e ao menos disso, a culpa não é minha.

Então, “meus amigos”, bom passeio no parque aquático, boa comemoração de aniversário, boa corrida de Kart, bom fim-de-semana em Vancouver, ótimos churrascos… Com o coração livre de mágoas, mas agora, eu sei o meu lugar.

And I miss you when you’re gone…

by Luize Lacerda on agosto 3rd, 2009

Esse fim-de-semana você viajou. E me deixou aqui. Sem saber notícias suas, achei que ia ficar de bico esses dias. Uma abstinência de tudo que eu aprendi a conviver nesses últimos tempos. Você realmente viajou, mas não me deixou sozinha nenhum segundo sequer. 

Na sexta-feira, fui a Portland com aquele nosso amigo louco. Aquele mesmo que tentou me beijar na mesma noite que eu e você demos nosso primeiro beijo. Viajamos para ver um show. Você lembra que eu e ele temos o mesmo gosto musical, não é? Mas eu, várias vezes, na estrada, fechava os olhos e esperava que quando eu os abrisse, fosse você dirigindo. Mas não adiantou. E olha que eu apartei bem os olhinhos, como sempre mandam fazer nos filmes. Durante o show, lembrei de você em várias músicas e imaginava o que você estaria fazendo a 3h a frente do horário que eu me encontrava. Depois, me veio uma angústia de ter viajado sozinha com ele. Imagina se você cogita que eu e ele ficamos juntos? Nossa, não! Jamais faria isso com você. Mesmo sem termos um compromisso, eu sou fiel ao que sinto. E aí, chegou a hora de voltar. Mais estrada e menos assunto. Só pensava em você naqueles instantes que nosso amigo louco perguntava porque eu estava tão calada…

No sábado, me senti mal porque soube que alguns amigos em comum foram passear e nem sequer lembraram de mim. Se você tivesse aqui, você teria me chamado. Será? Espero que sim. Quando eu já achava que ia passar o dia pensando em você, me levaram pra uma festa de aniversário que iria do sábado ao domingo. Lembrei do seu aniversário que durou uma semana. Ao chegar na festa, várias nacionalidades, como é típico daqui, né? Mas daí, encontrei aquele casal… um brasileiro casado com a americana, sabe? Aquele casal lá que não é amigo da galera mas que você me apresentou no primeiro dia que saímos juntos para ver o jogo de futebol. E mais uma vez, meu pensamento era todo seu. Resolvi voltar para casa no sábado a noite, porque no domingo iria ter mais coisas pra fazer…

A namorada daquele cara que joga pôquer conosco me chamou para ver os Blue Angels em um parque em Seattle. Fomos só os três e aí, mais do que nunca, queria você lá. Você ia ter adorado o clima da festa. E a gente ficou bem no “Beer Garden”, sabe? Tua cara. Foi bem parecido com o 4 de Julho que você não queria me levar porque queria que eu tivesse uma vida mais independente aqui. Depois do blue angels fizemos um churrasco no prédio desse casal. E os meninos foram também. Conversa vai, conversa vem… perguntaram por onde você andava. Disse que você havia viajado no fim de semana. Mas me perguntei depois por que eles perguntaram a mim? Será que eu sei mesmo da tua vida? Imaginei você vendo a vista do prédio deles, me pedindo pra tirar uma foto bem impossível daquelas que é pra pegar o sol e a lua, sabe? Você ia ter adorado a vista, não tenho dúvidas. Por fim, combinamos de jogar pôquer na terça e ir pro jogo da Barcelona na quarta. Será que você vai? Lembrei mais uma vez de você.

A verdade é que deu pra sentir saudades sim. Mas aprendi que onde quer que eu esteja, você, durante um bom tempo, vai estar comigo… Por mais que não tenhamos nada, eu tenho meu amor por você.

Back To The Game…

by Luize Lacerda on junho 20th, 2009

Quanta poeira aqui. Mas voltei. E espero que, para ficar. Voltei de onde não deveria ter saído. Do meu status quo criativo imaginário e irreal que me dá forças para levantar da cama. Todo santo dia e não somente no dia de todos os santos, sabem? Enfim, tanta coisa para contar. Danda coisa para externalizar. Coisa boa, coisa muito boa, coisa ótima. Coisa ruim? Já esqueci se teve. Na verdade, tenho é que ter cuidado para não vomitar despejar tudo de vez em cima de quem lê aqui. Mas, vamos lá. Avante. Sem olhar (muito) para trás. E feliz, sempre. Mostrando os dentinhos bem cuidados da mamãe, não é mesmo? :)

Hail Saint Patrick! \o/

by Luize Lacerda on março 17th, 2009

Meu feriado favorito, em desperado, não é o Natal, muito menos a Páscoa, ou nada parecido. É o Valentine’s Day. E olha que eu nasci e fui criada no Brasil, ou melhor, no Nordeste brasileiro… e sem estudar em Escola Americana nem nada. Devo isso tudo a Cultura Inglesa e ao meu bom gosto e senso crítico que possuo desde muito nova mesmo.

Fui praticamente alfabetizada em português e inglês na mesma época. Não porque meus pais quiseram e sim porque eu forcei a barra mesmo. E daí vocês me perguntam como? E devem tá achando: “Isso é invenção dela para ela parecer prodígio e tal”. Eu explico… tem problema não! Eu praticamente não fui alfabetizada em português porque eu tive uns contratempos aí e acabei pulando a “alfa” em si e indo direto pra primeira série sem saber ler e tal… Isso com a idade normal. Daí, um ano depois, quando eu tava em si, começando a escrever descentemente (sim porque eu consegui passar de ano sem ir pra recuperação e com notas boas simplesmente porque eu me esforcei, mas isso não quer dizer que eu era alfabetizada, ok?), pedi a minha mãe para entrar em um curso de inglês porque eu tenho uma prima americana (a irmã do meu pai casou com um cidadão americano e Suzanne nasceu lá e na época mal falava português).

Lembro também que a decisão para aprender a falar inglês veio de uma frustração. Quando eu finalmente consegui escrever direito cheguei perto de meus pais e disse: “Ahá, se Suzanne não entende o que eu falo, vai entender o que eu escrevo não, é?”. (ai como eu era burra!). E aí me explicaram que ela também escrevia diferente. Minha mãe achou por bem então me colocar no tal curso… Meu pai queria esperar até o começo do ano, mas como as turmas são semestrais, eu insistir para começar em Agosto. Foi um bafafá. Parecia que ele estava advinhando onde ia parar… Enfim, em Agosto de 1993 entrei na Cultura Inglesa e no universo maravilhoso das línguas e nunca mais saí.

Conheci os feriados de lá, me meti no Coral, no grupo de Teatro, em tudo. Comecei a entender que eu mais do que um idioma, aprendia outro modo de vida e eu queria mais e mais. Grupo de Dança? Também. Apresentei-me com Cats, Beatles Festival, Highlights From Broadway e tantas outras coisas. E lembro que quando chegava março era uma festa… Era o dia de Saint Patrick!

Lembro dos professores contando a lenda, dizendo que ele expulsou todas as serpentes da Irlanda e as colocou no fundo do mar. E a gente trocava trevos de três folhas entre si. Hoje, mais do que nunca, celebro boas lembranças de minha infância em um mundo longe que ficava a 15min de minha casa e que minha mãe me levava todas as segundas e quartas entre ás 14h e as 15h15min.